Uma História de Talento

Esta história começou para 37 jornalistas no dia 7 de fevereiro de 2011 e não tem previsão de acabar!
Uma "História Viva" que se construiu a cada dia, sempre vai deixar saudade e reuniu num mesmo endereço da rua Pedro Ivo, no centro de Curitiba, o eco de sotaques vindos do interior do Estado, Santa Catarina, São Paulo, Pará, Amapá, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Estes são os Talentos Jornalismo GRPCOM 2011

sábado, 16 de abril de 2011

Perfil de Talento - Gabriel Bozza

O talentoso Gabriel Bozza já tinha a Gazeta do Povo em seu caminho bem antes de começar o programa trainee - Talento Jornalismo 2011.

O Jornalismo também esteve sempre presente na história de vida de Gabriel, mesmo quando ele – com as dúvidas humanas que todos nós temos – chegou a especular sobre outras profissões.

Numa detalhada entrevista por e-mail, Gabriel conta com capricho sua estrada de dedicação. É com muita alegria que o blog Jornalistas de Talento apresenta a entrevista deste paranaense sensível:


Uma história da sua infância
Na infância eu era muito arteiro. Um paradoxo da atualidade. Minha mãe conta que uma vez balancei uma prateleira de um supermercado quando eu quis uma coisa e ela não iria comprar. Foi o maior sufoco que fiz ela passar. Os atendentes do supermercado a ajudaram a segurar uma gôndola repleta de objetos de vidro e caixas.
Menino Sapeca

E uma segunda história de aperitivo. Minha mãe disse que eu na infância gostava de assistir casamentos, que coisa maluca de eu imaginar isso hoje. E num sábado passávamos em frente a uma igreja no Rebouças e convenci que nós deveríamos entrar e ela falou: “Gabriel, fique quieto, vamos entrar, e não faça barulho.” E num momento quase no fim da cerimônia, e no momento em que o padre se preparava para a fala final, eu bati palmas e dei uma gargalhada gostosa, típica de criança. Imaginem o eco na igreja. A mãe conta que o padre parou. Os noivos e os convidados olharam para trás.


Uma paixão
Minha mãe. Sou filho único de mãe solteira. Como diria Chico César: “Mama África, a minha mãe é mãe solteira”. Como não conheci o meu pai, quem me educou e trabalhou para dar um futuro melhor para esse aqui foi ela. Agora chegou meu momento de retribuir esse esforço todo, ou melhor, essa paixão.
Batizado

Quais são seus principais gostos?
Meu gosto principal é sem dúvida esportes, principalmente futebol. Ele está enraizado na cultura brasileira e na minha. Sempre me pego assistindo jogos, gosto de fazer estatísticas e conhecer sempre mais sobre clubes e jogadores. Sempre estou assistindo e procurando entender novos esportes. Desde as últimas Olimpíadas de Inverno aprendi muito sobre o curling. Diria que é praticamente um tabuleiro de xadrez.
Não dispenso um bom livro. Agora estou lendo “Honra Teu Pai” de Gay Talese. Uma não ficção da máfia. Gosto de ouvir meus DVDs em casa. Sou bastante eclético, mas confesso não ser fã de sertanejo e pagode.
Eu gosto também de brincar com meus dois cachorros no jardim de casa. Animo os dois “monstros” e ainda faço um pouco de exercício físico quando corremos juntos. Tá certo que sempre ganho uns arranhões e dentadas.
Jogo de Paintball com o pessoal da faculdade

Um segredo
Quase que a arbitragem profissional me roubou do jornalismo diário. No segundo semestre de 2006 surgiu à oportunidade de fazer um curso de arbitragem na Federação Paranaense de Futebol (FPF). Fiz a inscrição e estava apto para dar o pontapé de partida. Porém, em virtude de problemas administrativos, não foi possível o investimento da entidade no curso. Cancelaram. Perdi a oportunidade de que os policiais fossem meus melhores amigos, mas evitei que minha mãe fosse xingada nos estádios. Ufa! Hoje analiso no campo e na telinha a atuação dos árbitros. Um gosto estranho.

Qual característica da sua personalidade você mais gosta?
Eu valorizo os meus princípios, e sempre sou muito sincero com relação a tudo. Acho que é uma das principais qualidades adquiridas. Não admito falsidade. Sou o mais espontâneo possível. E sinto a retribuição e alguns buscam saber minha opinião sobre diferentes coisas, e se abrem pra falar sobre seus problemas. Isso é gratificante. Tenho bons amigos por isso.
Com amigos no convite de formatura

Uma habilidade. Como descobriu ela?
Elogiar. Acredito que muitas pessoas encontram essa dificuldade. Essa foi uma habilidade aprendida. É preciso valorizar as pessoas, compreender os erros, tentar ajudar quando possível, e elogiar quando for adequado. E isso se traduz em apreço da pessoa por você. Consegui estreitar muitas amizades ao observar o que o outro faz. A pessoa saber que alguém está olhando o trabalho e reconhecendo o esforço realizado para atingir um objetivo final.

Porque você escolheu ser jornalista?
A vontade de ser jornalista surgiu com as aventuras de Tintin, aquele jovem repórter belga. Acredito que o desenho era um prato cheio para a profissão e para quem nem ao menos sabia o que era jornalismo investigativo, mas tinha vontade de fazer.
Minha primeira escolha para ingressar no ensino universitário foi Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia e não Jornalismo. Estranho, mas explico. O interesse surgiu porque a genética era um tema bastante discutido e parecia a profissão do futuro. Enfim, não passei por pouco e não era o que queria. Pior mesmo era só o teste vocacional que me sugeriu ser piloto de avião ou helicóptero. Ou seja, deveria fazer ITA. Nada a ver comigo.
Assim fiz um curso técnico no Senai, e fui trabalhar com gestão de qualidade. Aprendi muito por trabalhar em contato direto com o Denatran, Detran e Inmetro. E entre uma tentativa e outra de ingressar numa universidade, surge a oportunidade de usufruir de uma bolsa do ProUni, em razão de ter obtido uma boa nota no Enem. Assim não pensei duas vezes e escolhi como primeira opção Jornalismo na PUCPR e dei início ao meu sonho.
No estúdio de rádio - PUC/PR

Em resumo, escolhi Jornalismo pela capacidade que ele tem de ser um elo entre a comunicação e a sociedade. Acredito que tenho a contribuir e principalmente ajudar a unir diferentes camadas sociais e promover o desenvolvimento e bem-estar social. Para isso é preciso que ajudemos a romper esse isolamento dos indivíduos na atualidade, resgatando os valores éticos, sociais e morais perdidos.

Você já convive com o ambiente da Gazeta faz um bom tempinho. Como são seus sentimentos em relação a esse jornal?
Ingressei no fim de maio de 2008 no jornal. Uma empresa de gestão de pessoas recrutava para uma vaga que foi aberta a noite na internet, para trabalhar com jornalismo online. Um professor da faculdade, o José Carlos Fernandes, que todos conhecem, me avisou da vaga. Sem dúvida foi quem acreditou e impulsionou esse jovem. Reconhecimento vindo do melhor jornalista do estado e um dos melhores do Brasil, sem exagero algum. Algo melhor que isso era impossível para um acadêmico.
A jornalista Silvia Zanella, editora-executiva do portal, me abraçou como um filho e deu essa chance quando ainda estava no segundo ano da faculdade. E como sempre me dediquei na vida, não o fiz diferente no jornal.
Hoje a Gazeta do Povo faz parte do meu dia a dia. Não consigo desligar do jornalismo. Mesmo em momentos fora do veículo, me pego observando o site, lendo, anotando novas fontes e dados de matérias do impresso e twittando notícias e outros fatos curiosos. A Gazeta é muitas vezes a minha primeira casa.
No dia 25 de abril, após exatos 2 anos, 10 meses e 19 dias de trabalhos noturnos que começavam à 18h e adentravam a madrugada do dia seguinte, assumo novos desafios profissionais na Gazeta do Povo. O jornalismo cultural para mim será uma aventura a ser descoberta, confesso que serei praticamente um interiorano vindo pra cidade grande. Tenho apoio de muita gente, que confia no meu trabalho, e isso me gratifica. O lema é ousar e meter a cara e, assim, se Deus quiser, alcançar novos desafios.

Você tem uma história curiosa para contar sobre a vida na redação?
Todos os dias na redação acontecem fatos curiosos, às vezes percebemos e rimos junto ou nem ao menos nos damos conta. Lembro de um fato marcante:
Dias após ingressar na redação tive a proeza de derrubar um extintor de incêndio no piso. Mas ele não estava fixo na parede, e sim posicionado no chão. Quando bati com a cadeira nele, só escutei um barulho forte, praticamente um estrondo. Toda redação olhou em minha direção. O barulho ecoou até o fundo, onde sentam os editores e o chefe de redação. Todos repórteres me observavam e obviamente esperavam uma reação. Só lembro de ter perdido desculpa pelo barulho.

Como você espera o futuro?
Durante esses quatro anos de faculdade, contei com a colaboração de alguns profissionais e corri atrás para adquirir uma fonte de contatos. Fiz recortes de jornais, e montei um banco de dados sobre diferentes assuntos. Sempre me vi trabalhando com a sociedade e trazendo problemas vividos por eles de perto, algo mais próximo do jornalismo cidadão. Outra coisa que me interessa é poder escrever sobre esportes, trazer histórias de vida que interessem e que sirvam de espelho para o mais variado tipo de pessoas, criando identificação e/ou reflexão. Assim confesso que meus gostos pessoais são esportes e sociedade.
Eu estou sempre atento ao campo da política, economia e comunicação também. Sou um eterno estudioso. Com isso no futuro pretendo novamente tentar mestrado em Comunicação. Nesse ano tive um insucesso. Cheguei à final, mas não deu na hora de defesa do projeto. Espero lecionar e contribuir com o meu conhecimento para o enriquecimento da área.
Foto do convite de formatura

Uma mensagem para deixar para a posteridade e a prosperidade: “Não tenha medo de arriscar. É necessário ousar e errar para alcançar objetivos na vida. Estabeleça metas e cumpra elas a risca. Invista seu tempo mesmo naquilo que parece loucura para alguns. Informe-se, aprenda e compreenda o que o cerca. Abdicar de algumas coisas durante seu desenvolvimento pessoal e profissional, mesmo que no início pareça doloroso, traz resultados a médio e longo prazo”.

Outras considerações que você desejar
Queria apenas deixar um poema que gosto muito. “Loucos e Santos” de Oscar Wilde. Estava no nosso convite de formatura de jornalismo, inclusive. É assim que faço amigos:
“Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila./Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante./A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos./Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo./Deles não quero resposta, quero meu avesso./Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim./Para isso, só sendo louco./Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças./Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta./Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria./Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto./Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. /Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos./Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça./Não quero amigos adultos nem chatos./Quero-os metade infância e outra metade velhice!/Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa./Tenho amigos para saber quem eu sou./Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que ‘normalidade’ é uma ilusão imbecil e estéril.”

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