Uma História de Talento

Esta história começou para 37 jornalistas no dia 7 de fevereiro de 2011 e não tem previsão de acabar!
Uma "História Viva" que se construiu a cada dia, sempre vai deixar saudade e reuniu num mesmo endereço da rua Pedro Ivo, no centro de Curitiba, o eco de sotaques vindos do interior do Estado, Santa Catarina, São Paulo, Pará, Amapá, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Estes são os Talentos Jornalismo GRPCOM 2011

sábado, 23 de julho de 2011

Perfil de Talento – Anna Carolina Azevedo

Anna Carolina é dona de uma gargalhada gostosa e muito doce.

A entrevista abaixo é mais do que um apanhado de revelações: é uma aula, um aprendizado! Nossa “talenta” traz relevantes reflexões sobre o jornalismo e conta histórias de forma tão suave e alegre, que dá vontade de continuar lendo essa menina por muito tempo.

Carol tranforma a entrevista e a vida em poesia.

Com orgulho, o palco do Jornalistas de Talento, hoje é todinho dela:

Porque você escolheu ser jornalista?

Diante de tantas histórias já reveladas aqui no blog, a minha, talvez, seja a menos passional. Até o 3º ano, eu nunca tinha realmente parado para pensar sobre em qual profissão eu melhor me enquadraria. Sabia, apenas, que não tinha a menor vocação para as biológicas (qual é a diferença da Taenia solium para saginata mesmo?). Aí eu fiz um teste vocacional e os resultados apontaram maestrina/musicista, advogada ou jornalista. Dentre as três opções, jornalista foi a que soou menos absurda aos meus ouvidos (risos!). Mas, apesar de, desde a infância, eu gostar de narrar histórias, ainda não sei, sinceramente, se o jornalismo chega a ser uma vocação intrínseca a mim ou se foi uma capacidade desenvolvida.

Como foi a experiência na redação da Gazeta?
Foi uma rica experiência. Durante a faculdade, eu tive a oportunidade de conhecer diversos campos de atuação da profissão de jornalista – das assessorias de imprensa ao Dinamite (Dinamite – Uma tragédia em Curitiba, para mim, o meu trabalho jornalístico mais relevante). No entanto, ainda faltava a aventura do jornalismo diário. E que melhor lugar para descobrir mais essa possibilidade do que no maior e mais bem estruturado jornal do Paraná? Com o giro pela Gazeta, pude assistir à rotina produtiva dos repórteres e editores, bem como ao papel de cada um dentro da lógica profissional, editorial e ética do jornal. Além disso, conviver com alguns desses profissionais foi um aprendizado valioso não apenas para a minha carreira, como também para a minha vida. Outro aspecto importante dessa experiência é que ela serviu para que eu, em boa medida, me convencesse de que consigo fazer jornalismo. E isso é fantástico, porque a profissão de jornalista é uma das que sustenta maior responsabilidade social. Cabe ao bom jornalismo não apenas o informar, como também o formar, o pautar, o debater, o apontar, o denunciar, o educar, o servir, o entreter. Ao cabo, cabe ao jornalismo o poder e a relevância de atuar na construção de uma sociedade mais consciente e de cidadãos mais atentos ao seu papel no mundo.
“Eis o livro. E, antes que perguntem, já plantei árvore também. Só não vou ter filhos”.


Quais as expectativas após o termino do trainee?

Quem espera, prostra-se inerte diante da vida, que corre com o passar dos dias. O meu objetivo concreto agora é retomar a faculdade de Letras e buscar uma colocação nessa área. Não descarto, porém, a possibilidade de eu vir a atuar como jornalista, afinal o trainee me ofereceu essa bagagem.

Como a paixão pelas letras entrou na sua vida?

Como eu disse, desde a infância eu gosto de histórias e elas me aproximaram dos livros (e também dos gibis do Chico Bento). Mas não foi o universo literário que me levou às letras. Não diretamente. Aliás, em nome dos linguistas, é bom que se esclareça que nem só de literatos vive a academia. Refletir sobre a língua é um exercício que desperta o meu interesse desde os tempos de escola. Para quem gosta de linguística – como eu -, um livro é mais do que uma experiência artística. O livro é um compêndio de bons exemplos de como utilizar a linguagem e seus recursos morfológicos, ortográficos, sintáticos ou semânticos e se valer deles para expressar uma ideia. O que seriam dos grandes autores não fosse a língua, vosso instrumento do labor?
 Lançamento do Dinamite - Uma tragédia em Curitiba, em agosto do ano passado.


Conte sobre uma história da sua infância.

Lembro quando eu descobri que os meus nomes do meio, “Carolina Ulandovski”, viravam C.U. quando abreviados – e de que isso podia ser pejorativo. Primeiro, há de se enfatizar o hábito que se tem de abreviar o nome das pessoas - seja por falta de espaço (ora, se não há lugar suficiente para escrevê-los por inteiro, que abreviem, pois, os pós-nomes), seja por pura preguiça. O meu caso? Anna C.U. Azevedo. Sim! O meu nome oficial no boletim da pré-escola, na carteirinha do clube, no grupo escoteiro, no cartão transporte e até mesmo no cartão da minha conta bancária! Decerto, Sueli Regina (vulgo mãe) não estava atenta a esse detalhe tão imprescindível quando foi me registrar...

Enfim, a pequena Anna estava na 2ª série. Ao fim do bimestre, a professora entregava aos pais um envelope com todas as atividades que o aluno desenvolvera naquele período. Fui pra casa, feliz e orgulhosa com o meu envelope em mãos, na ânsia de mostrar os trabalhinhos à Sueli. Na frente do envelope, um coelho com bolinhas de crepom. E um Anna C. U. bem vistoso, escrito com caneta hidrográfica em letras cursivas. No auge da minha inocência da velha infância, eu não tinha percebido nenhum problema. Tinha até achado a letra da professora linda! Mas, quando cheguei em casa, a dura realidade: duas tias minhas começaram a rir do meu C.U. à mostra. E a pobre da criança sem saber o porquê – afinal, se eu sequer sabia o significado do cu comum a todos, quem dirá eu entenderia relação entre ele e o meu C.U.!

A partir daquele dia, passei a conhecer a imensidão de piadinhas que uma pessoa que tem um C.U. no meio do nome tem de ouvir durante a vida. Mas, se dantes eu escondia, hoje não tenho o menor pudor: sou Anna C.U. com muito amor!

Pequenininha


Um sonho

Conhecer a Grécia. Sou fascinada pela mitologia, pelas narrativas épicas, pelo idioma, enfim, pela cultura helênica. Conhecer o berço da civilização ocidental seria fantástico. Com toda certeza deste mundo de Zeus, eu choraria diante do Parthenon.

Um segredo

Eu já fui magra (risos!). Tá, eu adoro novela. Sério.

Uma paixão

As palavras. Elas não são sensacionais?

Sua música predileta e uns versos que te emocionam

A letra de “O Vencedor”, do Los Hermanos, fala sobre abrir mão da competição cega e desumana em detrimento do amor e da paz interior. Foi a canção que eu escolhi para receber o diploma na formatura. “Eu que já não quero mais ser um vencedor/levo a vida devagar pra não faltar amor”. Ultimamente tenho ouvido bastante “Under Cover the Darkness”, do Strokes – que, aliás, também tem um pouco dessa lógica do melhor que cada um pode dar.

Qual característica da sua personalidade você mais gosta

Essas questões sobre supostas virtudes que poderiam - ou não - ser atribuídas a mim lembram-me versos de uma canção de Vinícius de Moraes. Na iminência da armadilha do pedantismo, cantarolo em meus pensamentos “o homem que diz ‘sou’ não é, porque quem é mesmo é ‘não sou’”. De toda forma, gosto do meu lado criativo e de ser divertida – se é que sou mesmo. Pessoas sorrindo fazem um bem enorme não só a mim, como ao mundo. Um sorriso salva um dia, uma história, uma vida.
Carol, mamãe, vovó e irmã num jogo do Furacão: “Amo a minha família!”


Uma habilidade. Como descobriu ela?

Acho que tenho certa facilidade com a sintaxe; pelo menos é uma das coisas das quais eu gosto e pelas quais eu mais me interesso. E acredito que as preferências pessoais acabam por influenciar as habilidades, de certa forma. Descobri na 6ª série, quando a minha mãe brigou comigo (eufemismo para “bateu”!) depois de eu ter ido mal em uma avaliação de português. Tive que me dedicar aos tais sujeitos e predicados para recuperar meu desempenho escolar e acabei descobrindo e desenvolvendo o raciocínio sintático. As estruturas das orações são tão complexas (não no sentido de difíceis, mas de elaboradas) quanto fórmulas matemáticas. Isso é apaixonante!

Quais são seus principais gostos?

À exceção de quando eu estou com TPM, gosto de gente (risos!). Gosto de sair com meus amigos, de estar com a minha família, com o meu amor. Gosto da comida da minha vó, de andar de bicicleta, de usar topete no cabelo e até de passar roupa. Gosto mais do que desgosto.

Como você espera o futuro?

Peço ajuda ao Herculano Quintanilha.

Uma mensagem para deixar para a posteridade e a prosperidade

Já diria o poeta, "gentileza gera gentileza".

4 comentários:

  1. Anna CU, sua delícia! O mundo precisa ler você.

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  2. Anna CU, nao basta aparecer numa foto, tem que estar no centro!
    Adorei a entrevista ;)

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  3. Anna CU é sinônimo de talento, alegria, mas principalmente amizade e companheirismo. Um orgulho para os amigos e a certeza de um futuro brilhante!

    O mundo precisa ler você. [2]

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  4. eu sou fa , muito fa da anna CU...beijao Anninha....

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