Uma História de Talento

Esta história começou para 37 jornalistas no dia 7 de fevereiro de 2011 e não tem previsão de acabar!
Uma "História Viva" que se construiu a cada dia, sempre vai deixar saudade e reuniu num mesmo endereço da rua Pedro Ivo, no centro de Curitiba, o eco de sotaques vindos do interior do Estado, Santa Catarina, São Paulo, Pará, Amapá, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Estes são os Talentos Jornalismo GRPCOM 2011

terça-feira, 26 de abril de 2011

Perfil de Talento - Yuri Al'Hanati

Yuri Al'Hanati é uma coletânea de talentos: desenha, escreve e muito expressa. Foi um dos primeiros trainees a ser contratado e já está trabalhando super na Gazeta.
É uma pessoa difícil de editar e descrever. Por isso mesmo, damos todas as palavras, os espaços e o palco para o artista-comunicador.
                                                      
Porque você escolheu ser jornalista?
Não sei mesmo. Eu era muito imaturo e indisciplinado na adolescência, provavelmente devo ter visto o leque de cursos disponíveis nas instituições universitárias do Brasil e escolhido um em que eu não tivesse que mexer com física. Não me orgulho de ter sido um adolescente relapso, mas pelo menos minha história não é tão vergonhosa quanto àquela da Daniela Albuquerque e seu Toddynho.
Mas hoje posso dizer o que gosto no jornalismo. Gosto principalmente da ideia de informar e levar conhecimento até o leitor, principalmente se for mesmo algo sobre o que ele queira e precise se informar. No caso do jornalismo cultural, gosto do fato de ser uma atividade intelectual exercida diariamente e ser ao mesmo tempo formadora e não-sisuda. Enfim, gosto que o jornalismo faça parte da vida das pessoas no campo intelectual. Contribuir para tentar tornar o mundo um lugar mais inteligente é uma ideia bacana. Fico feliz de ter feito essa escolha, não me imagino exercendo outra profissão.
Surf 80's
E sua história com os desenhos, literatura e charges? Conte um pouquinho para nós. 
Os desenhos vieram primeiro. Acho que toda criança desenha, né? Eu aprendi a desenhar com o meu tio: aquele tio legal que te ensina a surfar, a ouvir boa música e a ser mais esperto nessa vida. Meu avô também desenha e meu bisavô era um virtuose no desenho, só lamento que essas coisas tenham muito mais a ver com disposição do que genética. O ponto alto da minha pífia carreira como artista do underground foi essa exposição no Bar James que teve esse ano. Ver as pessoas suspirando de alívio por eu não ser mais um artista do computador foi gratificante, achei que esses desenhos toscos não tinham mais vez.
Quanto à literatura. Bom, até os dezessete anos eu não tinha absolutamente nada na cabeça. Foi quando meu pai me largou sozinho aqui na cidade grande pra eu aprender a ser gente. Além de estudar e bancar o flâneur por aí, não tinha nada para fazer numa casa sem televisão, sem internet e sem amigos. Então um dia quis comprar um livro pra matar o tempo e meu pai disse que bancaria todas as minhas leituras. Minha mãe mandava livros pelo correio e logo comecei a tomar gosto pela coisa. Hoje sou um leitor costumaz e muito organizado com as minhas leituras. Ficho, anoto, catalogo, etc. Gosto principalmente de literatura contemporânea, e tenho muitos escritores favoritos, mas posso citar o sul africano John Maxwell Coetzee, o peruano Mario Vargas Llosa e o italiano Italo Calvino. Minha maior conquista nesse sentido foi ter entrevistado o Mia Couto, um grande escritor moçambicano que é um dos meus favoritos também, já li todos os livros dele publicados no Brasil. A entrevista saiu na Gazeta em 2009 e está neste link:
http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?id=911382
O pai é eterno, a mãe é imortal
A contratação pela Gazeta te pegou de surpresa?
Pô, claro.
Quando recebeu a notícia? Quando vai começar o novo trabalho?
Dia 5 de abril. Estava fazendo a cobertura do Festival de Curitiba e o Paulo e a Marleth me chamaram para conversar. Disseram que havia aberto uma vaga no Caderno G e perguntaram se eu estava interessado. É igual perguntar pro Capitão Ahab se ele está interessado em pegar aquela baleia safada. Já estou trabalhando lá, mas como contratado, comecei dia 25 de abril.
E sobre o Caderno G: está feliz? O que espera? 
Desde que entrei na faculdade, quis escrever sobre cultura. Então é claro que eu tô mais feliz do que sapo na chuva. O Caderno G é um dos últimos lugares do Brasil para se fazer jornalismo cultural de gente grande. Por isso mesmo estou também pisando com cuidado. Tenho muito o que aprender com aqueles caras. E espero aprender.
Conte sobre uma história da sua infância. 
Meu pai é biólogo, e na pequena vila em que eu morava não havia viveiro para animais silvestres, de maneira que meu pai cuidava de todo bicho adoentado lá em casa (tudo autorizado pelo Ibama). Convivi com araras, tamanduás, pingüins e falcões. Mas eu lembro que eu gostava mesmo era de uma preguiça que morou com a gente por umas semanas. Eu chegava do colégio e ela tava lá penduradona no varal, tomando sol. Tirando as unhas mortais, ela era bem dócil e quero crer que gostava de mim tanto quando eu gostava dela.
Pinguim

E qual a história do seu nome? Qual a origem da sua família?
Minha família é de origem grega, embora o nome seja árabe. Coisas de lugar cosmopolita, eu acho. Meu bisavô é grego, mas sabemos muito pouco sobre a origem. Já escrevemos para a embaixada mas não obtivemos resposta. O meu nome é fácil. Qualquer pessoa com menos de 50 anos que se chame Yuri provavelmente tem esse nome por causa do Yuri Gagarin. A menos que seja o pai seja fã da era Brejnev e do Yuri Andropov, o que eu não acredito que alguém seja.
Como você espera o futuro?
Com calma, não tenho pressa.
Amadeus
Uma mensagem para deixar para a posteridade e a prosperidade.
Acho que viver a vida com leveza é importante. Gosto de uma frase apócrifa do Tristram Shandy, personagem do Laurence Sterne que diz: “A seriedade é uma misteriosa atitude do corpo para ocultar os defeitos da mente”. Independente de quanta responsabilidade ou conhecimento você carregue nas costas, leveza e bom humor nunca devem ser perdidos. Humildade também é legal.
Outras considerações que você desejar:
Já repararam que toda vez que um piso fica molhado é muito mais fácil aparecer uma placa de “Cuidado! Piso Molhado” do que um pano de chão? Tenho uma ‘tioria’ de fundo filosófico sobre isso, me procurem que eu explico.

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